O setor de energia solar, eólica, transmissão e armazenamento está aumentando a demanda por profissionais técnicos. Veja quais são as carreiras, as habilidades exigidas e onde se capacitar.
A transição energética já está transformando o mercado de trabalho brasileiro. Com a expansão das usinas solares e eólicas, novas linhas de transmissão e projetos de armazenamento de energia, cresce também a demanda por profissionais capazes de instalar, operar e fazer a manutenção dessas estruturas.
A energia solar, por si só, gerou mais de 319 mil empregos verdes em 2025, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). O setor também adicionou 10,6 GW de potência no país no mesmo ano.
Mas não são apenas os engenheiros que encontram espaço nessa transformação. Técnicos, eletricistas e profissionais de manutenção estão entre os trabalhadores que podem se beneficiar dessa expansão.
Confira cinco áreas que merecem atenção:
1. Instalador de sistemas fotovoltaicos
É uma das portas de entrada mais acessíveis para quem deseja trabalhar com energia renovável.
O profissional instala, testa e realiza a manutenção de sistemas de energia solar. Os cursos profissionalizantes do SENAI já são voltados especificamente para essa atividade.
O que estudar: eletricidade, sistemas fotovoltaicos, inversores, dimensionamento e normas de segurança, como a NR-10.
2. Técnico de operação e manutenção
Depois que uma usina entra em operação, é preciso monitorar seu desempenho e manter os equipamentos em boas condições.
A demanda por profissionais de O&M — operação e manutenção — cresce à medida que aumenta o número de usinas instaladas. O SENAI já oferece cursos de capacitação específicos para esse mercado.
O que estudar: manutenção elétrica, monitoramento de equipamentos, análise de falhas e sistemas de controle.
3. Técnico para a indústria eólica
O Brasil encerrou o ano de 2025 com cerca de 34,7 GW de capacidade eólica instalada, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
A expansão dos parques gera oportunidades para profissionais das áreas de elétrica, mecânica e manutenção.
A ABEEólica estima que a instalação de novos projetos entre 2026 e 2030 deverá exigir cerca de 2 mil novos profissionais.
O que estudar: eletrotécnica, eletromecânica, manutenção de turbinas e segurança no trabalho em altura.
4. Técnico e engenheiro de transmissão
Mais energia renovável também significa uma maior necessidade de infraestrutura para transportar essa eletricidade.
Em 2025, o Brasil instalou 5.582 quilômetros de linhas de transmissão.
No primeiro leilão de transmissão de 2026, foram contratados 859 quilômetros de novas linhas. A EPE estima a criação de cerca de 12 mil empregos durante a implantação dos empreendimentos.
O que estudar: eletrotécnica, sistemas de potência, subestações, proteção e controle.
5. Especialista em armazenamento de energia
É uma das áreas mais recentes do setor.
Baterias de grande porte podem ajudar a armazenar energia e proporcionar mais flexibilidade ao sistema elétrico. Em 2026, a EPE registrou 6.091 projetos interessados no primeiro leilão brasileiro de reserva de capacidade por armazenamento.
O número refere-se a projetos cadastrados — e não a empregos já criados —, mas demonstra o tamanho do interesse das empresas pela tecnologia.
O que estudar: engenharia elétrica, eletrônica, automação, sistemas de controle e tecnologia de baterias.
Como entrar nesse mercado?
Para quem está começando, não é necessariamente preciso fazer um novo curso de graduação.
Cursos técnicos e profissionalizantes podem ser uma porta de entrada, especialmente nas áreas de eletrotécnica, eletricidade, mecânica, automação e instalação fotovoltaica.
O SENAI oferece cursos de formação relacionados ao setor, enquanto entidades como a ABSOLAR e a ABEEólica acompanham as demandas de qualificação de suas respectivas cadeias.
Outra dica é procurar vagas não apenas por termos como “energia renovável” ou “emprego verde”. Muitas oportunidades aparecem com nomes tradicionais, como eletricista, técnico em eletrotécnica, técnico de manutenção ou técnico de operação.
O mercado está mudando — e as profissões também
A chamada economia verde não significa apenas o surgimento de profissões totalmente novas. Em muitos casos, significa aplicar profissões já existentes em setores que estão em crescimento.
Para quem está em busca de uma nova oportunidade profissional, compreender essa mudança pode ser o primeiro passo para transformar a transição energética em uma oportunidade de trabalho e renda.
Fontes: Ministério do Trabalho e Emprego, EPE, ABSOLAR, ABEEólica e SENAI.
