Potência Potiguar: energia eólica sem disse me disse

por | 27 de novembro de 2025 | Energia eólica offshore

Foto: Anthony Aird / Unsplash

As turbinas eólicas são mesmo uma ameaça para as aves?

Quando se discute energia eólica, muitas vezes surge a preocupação com impactos sobre as aves. Porém, as pesquisas científicas mostram que as turbinas estão longe de ser o principal risco. Segundo dados analisados por pesquisadores da Universidade de Michigan, as maiores ameaças às aves são:

  • Gatos domésticos soltos: responsáveis por aproximadamente 1 bilhão de mortes de aves por ano nos EUA;
  • Colisões com janelas e prédios: entre 365 milhões e 1 bilhão de mortes por ano;
  • Perda de habitat causada por expansão agrícola, urbana e industrial;
  • Mudanças climáticas, que já fizeram desaparecer cerca de 3 bilhões de aves desde os anos 1970.
Em comparação com isso, as turbinas eólicas são responsáveis por 150 mil a 500 mil mortes por ano, ou seja, menos de 0,01% aquelas causadas por gatos.

Com o avanço das mudanças climáticas afetando rotas migratórias e disponibilidade de alimento, a energia eólica acaba sendo uma aliada das aves, pois reduz as emissões e protege os ecossistemas a longo prazo.

A ameaça real às aves vem da destruição de habitat, da poluição e do aquecimento global e não dos parques eólicos bem planejados.
Foto: Nicholas Doherty / Unsplash

Os radares reduzem em até 82% os acidentes com aves

Mesmo que as turbinas representem uma fração muito pequena das mortes de aves, a indústria evoluiu para reduzir ainda mais esse impacto.

O sistema mais estudado é o IdentiFlight, que usa câmeras de alta resolução e inteligência artificial para:

  • identificar espécies sensíveis, como aves de rapina;
  • calcular velocidade e direção de voo;
  • acionar automaticamente a redução da rotação ou parada temporária das turbinas para permitir a passagem segura.
Segundo um estudo divulgado pela BBC, um parque eólico em Wyoming conseguiu: reduzir a mortalidade das águias em 82% após a instalação da tecnologia.

Além disso, outros projetos utilizam:

  • radares de vigilância aérea,
  • modelagem de risco,
  • monitoramento contínuo,
  • ajustes sazonais de operação.
O que isso significa para o Nordeste?

Regiões como Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Piauí - líderes em geração eólica - podem receber parques equipados com sistemas modernos capazes de:

  • detectar aves em tempo real,
  • interromper as turbinas por alguns minutos quando necessário,
  • mapear rotas migratórias locais e proteger espécies vulneráveis.
A combinação de energia limpa + tecnologia avançada torna possível gerar desenvolvimento local e proteger a biodiversidade ao mesmo tempo.
Foto: Vladyslav Chercasenko / Unsplash

Outra preocupação comum em comunidades próximas a parques eólicos é a ideia de "radiação". No entanto, o que existe ao redor das turbinas são campos eletromagnéticos (EMF) - os mesmos presentes em:

  • redes elétricas,
  • eletrodomésticos,
  • postes e transformadores,
  • roteadores e aparelhos comuns.
Um estudo publicado na revista Environmental Health avaliou turbinas no Canadá e constatou que:
  • 0,9 mG na base da turbina (nível baixo)
  • 0,2-0,3 mG a apenas 2 metros, equivalente ao nível natural de fundo
  • valores de fundo mantidos até 200-500 metros de distância
O que a pesquisa conclui:
  • Os campos eletromagnéticos das turbinas são muito baixos;
  • Estão bem abaixo dos limites internacionais de segurança definidos pela ICNIRP;
  • Não apresentam riscos adicionais à saúde;
  • São semelhantes ou menores do que os campos eletromagnéticos encontrados dentro de casas e escolas.
As turbinas eólicas não emitem radiação perigosa. Os níveis medidos são considerados seguros pelos padrões internacionais e ficam abaixo de muitos aparelhos que usamos diariamente.

O que o mundo diz sobre o futuro da energia

Um relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE) mostra que a forma como produzimos e utilizamos energia está mudando rapidamente. Segundo a AIE, O mundo está começando a reduzir o uso de combustíveis fósseis (como petróleo, gás e carvão) e a ampliar o uso de fontes limpas, como a energia solar, a eólica e a eletricidade gerada sem queimar combustível. Isso ocorre por dois motivos principais:
  • As tecnologias limpas estão ficando mais baratas e mais utilizadas — como painéis solares e carros elétricos.
  • Cada vez mais países querem energia que não polua e que não dependa tanto de combustíveis importados.
O relatório também afirma que, mesmo com esse avanço, ainda são necessárias medidas mais enérgicas para que o mundo consiga limitar o aquecimento global e combater as mudanças climáticas. Ou seja: a transição para energias limpas já começou, está ocorrendo rapidamente, mas precisa avançar ainda mais para garantir um futuro mais seguro e sustentável para todos.

Conclusão... a energia eólica é uma solução - das boas! - e não um problema.

O vento do Nordeste é um dos maiores recursos naturais do Brasil. E quando a energia eólica é implantada com planejamento, tecnologia e diálogo com a comunidade, ela oferece: proteção ao meio ambiente, empregos locais, renda no campo, desenvolvimento municipal, energia limpa estável e proteção ao meio ambiente. Chega de disse me disse. Informação é poder!